terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Te Perder

            Eu poderia descrever a minha vida num antes e num depois. O antes seria melancólico monótono e chato. O depois se resumiria em você. 

   A vida tomou jeito depois que você apareceu. Você chegou todo ansioso por me fazer feliz e com uns medos absurdos e engraçados. Era todo desengonçado, cheio de manias e tinha um olhar fascinante. Um olhar que apaixonava e que sinalizava que estava apaixonado. A felicidade vivia estampada em sua face. E você também tinha um orgulho formidável de mim e arriscaria dizer que era até um pouco obcecado por isso. Sinto falta disso. Como também sinto falta das inúmeras madrugadas de vitrola rolando e nada por se preocupar. E depois de muito tempo eu fui perceber que estraguei você. Sim, eu estraguei você.

   Aos poucos fomos caindo numa rotina pesada e sólida, vez ou outra encontrávamos uma válvula de escape e fugíamos de tudo isso. Não vejo mais seus sorrisos espontâneos, seus olhos já não são mais os mesmos. Aonde foi parar o menino dos olhos brilhantes e do amor pela velha guarda? Confesso que sou a grande culpada por tudo isso. Não via os seus recados e os milhares de sinais apaixonados que flutuavam pelo ar. Eu era fria, fechada, pouco sabia sobre o amor, e o que sabia era o suficiente para tentar mantê-lo afastado. Sinto muito.

     Hoje, pouco a pouco, a vida se torna vazia e sem muito sobre o que comemorar. Não há mais gols alucinantes ou amassos avassaladores pela casa, no máximo o que encontramos é coisa pouca. Coisa que gente comum faz. Coisa que não queríamos pra gente. Ouvi dizer que era uma fase e que logo tudo isso passaria. Por isso sigo aqui, sentada na varanda com o Zé (o cachorrinho que você me deu), esperando ansiosamente por isso. Esperando os amassos, o vinho, a música alta e a conversa boa. Espero que tudo mude logo, e que eu volte a ver os seus encantadores sorrisos e sonhos. Quero logo a nossa vida de volta. Quero logo você.  Sei que já fui melhor, você também já foi. Uma vez eu era toda amedrontada e cheia de conflitos internos. Uma vez você era feliz. Hoje alguns medos voltaram, mas  nenhum se compara ao meu único grande medo: te perder.


domingo, 17 de agosto de 2014

Goodbye!

Eu estou saindo. Meio apavorada e cheio de anseios. Não me faça perguntas ridículas porque eu também não vou querer saber sobre as respostas. Mas eu estou indo. Partirei pela manhã e quem sabe não retornarei mais. 

Confesso que essa confusão toda está abalando o meu SNC (Sistema Nervoso Central), quase não me alimento e quando tento alguma coisa sai errada. Minha última gafe foi confundir um coelho com uma galinha, mas isto é aceitável -assim eu espero.

Estou de mudança, minhas malas já estão postas à sala, meus cabides já estão no meu novo quarto. Meu arco-íris voltara a reduzir suas cores. Me pegaram de surpresa, me acostumei. Ganhei uma nova família e novos álibis. Agora que estou livre anseio por não querer partir. 

Vou voltar a melancolia e a minha solidão. Essa a qual eu só compartilharei com você. Não haverá quadros nem cores, mas haverá música. Se quiser, puxe uma cadeira e fique ao meu lado. Sempre vou preferir a sua companhia do que a minha dramaturgia, mas entendo também se quiser ir embora. 

Não se assuste se eu não fizer pedidos, e nem lhe convidar para ficar. Devo conhecer seus espaços e entender os seus medos, mas espero que também compreenda os meus. E se por acaso eu desistir, me faça o favor de me relembrar. 

O táxi chegou, é hora de partir. Ficarei há algumas quadras daqui, mas não espere eu me sentir sozinha para me fazer companhia. Como também não espere eu lhe esquecer para vir tomar o seu lugar. Deste modo não espere nada, pois sou um poço de melancolia e saudade que se misturam ao amor que eu sinto por você.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Nosso amor e o síndico

Como nos últimos dias, mal saímos do elevador e lá estávamos nos amassando em frente a porta do nosso apartamento. E tudo está sendo como sempre sonhamos que seria, tudo tão mágico e tão nosso. A diferença é que  é agora nestes metros quadrados que vamos esconder nossos medos, certezas e desejos.

Nosso rastro sempre impecável, sempre largando tudo logo após cruzar a nossa porta de entrada e assim seguíamos desperados para o nosso quarto, ou melhor, para qualquer móvel que ficasse distante o bastante das belas janelas de quase dois metros que revestiam nosso apartamento. 

Mas hoje não, em plena sexta-feira chegamos calmos e exaustos, a pegação ocorreu, mas logo a trocamos por umas taças de vinho e queijo. E lá estávamos nós, sentados e largados em nosso sofá preto ardente. E lá mesmo adormecemos. 

Como nem tudo é um mar de rosas, acordamos com uns -quase chutes- socos em nossa porta; você ao se levantar caiu e me puxou, eu resmunguei algumas palavras mas sorri ao ver você me repor no sofá. Ao contrário de nossa calmaria, a outra pessoa parecia que iria salvar o presidente se nos despertasse aquela hora. Peguei o celular e com um feixe de olhos pude ver que não passava das 3H. Quem seria o maldito mal amado que nos acordara naquela noite. Claro, o síndico. Como não imaginamos isso antes? Uma bela e tardia visita do síndico. 

Já era a quarta vez que aquele senhor rechonchudo nos perturbava pela madrugada. Sorte a dele de que não interrompera nada, senão, hoje ele iria se acertar comigo. Ah se iria. 

Passados trinta minutos de sermão lá estávamos nós, os três, sentados no nosso sofá esperando as horas passarem. Já era a décima reclamação de que havia muito barulho vindo do nosso apartamento pela madrugada e já era a quinta vez que dividíamos nosso sofá com este querido homem. 

Até que na vigésima semana descobrimos que o problema não vinha exatamente do nosso apartamento, mas sim, do encanamento que passava por debaixo dos nossos pés. 

-E pensar que durante quinze dias ficamos apenas dividindo os sofás ( me refiro a gente, não ao síndico). 




sábado, 26 de julho de 2014

Eu não aprendi a dizer adeus

             Há algum tempo eu venho tentando transcrever um sentimento que só cabe a imensidão do meu coração; a saudade. Eu nunca souber dizer adeus, nunca gostei de despedidas, muito menos de ir embora, ou melhor, deixar alguém ir embora. Ah Flávia, então tu nunca mandou ninguém ir embora da tua vida? Sim, já e não me arrependo. As vezes é melhor mandar sair do que deixar e fazer um estrago. Também não precisamos ser hipócritas, ok? Ok.
              Hoje, um dia chuvoso e sem muita vida, mergulhei numa limpeza profunda destas que você lava até a alma. Sabem como é, janeiro, começo de ano, é bom jogar as coisas ruins fora. E não, eu não me refiro a limpeza espiritual, me refiro a limpeza com panos úmidos e baldes d'água. E nesta organização acabei encontrando dentro de uma caixa de papelão (destas que se colocam quinquilharias), um objeto estranho e que poucas pessoas conhecem, e confesso que se determinada pessoa não tivesse feito parte da minha vida eu nunca conheceria. Eu encontrei um beloquê. 
              Rapidamente o peguei em minhas mãos e me deixei levar por um sentimento, este que desde tempos atrás não vai embora; a saudade. Apenas observando aquele objeto consegui reviver boas lembranças e até mesmo ouvir o barulho do encaixe torto e descompassado. Meus olhos rapidamente lacrimejaram, era a saudade ali tão presente e tão distante. É impossível não sentir o meu peito arder em fogo, igual ao dia em que você me disse adeus. Tenho certeza que não doeu tanto quanto o seu, mas ainda assim doeu. Ainda não consigo aceitar o fato de vários exames médicos negarem qualquer anomalia em seu coração, e logo mais a biopsia acusar um infarto fulminante. -mais uma vez meu peito dói. Indícios este da saudade que não vai embora.
                   Ainda fico a sua espera, mas é segredo ninguém pode saber. Fico imaginando você entrar porta a dentro e dizer pro meu namorado que a barba dele está suja (e depois soltar aquela piadinha marota de sempre -Deus, te abençoe), ou me perguntar que dia é hoje e repetir por mais dez vezes só pra me tirar do sério. Fico esperando seus ensinamentos diários cheios de doses de felicidade, doses que explodiam em seu rosto num belo sorriso, doses de quem não conhecia a tristeza e a maldade do mundo.
                 Hoje não tenho mais nada disso. Não tenho mais com quem apostar corridas tortas até a porta de casa, ou quem sabe lhe defender por aí destes ridículos preconceitos da humanidade. Não tenho mais lutas, não tenho mais por quem lutar. O preconceito esta cada dia mais distante e ninguém se abala com a sua presença, novamente não tenho por quem brigar. 
                Nunca quis deixá-lo ir, e isso deveria ser o suficiente para você nunca ter partido -ingrato. Eu só queria mais tempo ao seu lado para aprender a rir um pouco mais da vida e dos meus tropeços. Alguém com quem compartilhar a dor e fazer dela minha felicidade. Queria um tempo a mais para continuar com seus ensinamentos diários. Mas confesso, trocaria tudo isso por um último primeiro abraço. Este o qual eu guardaria dentro de um baú, numa embalagem a vácuo com largas escritas alertando para ninguém se aproximar, porque se trata de uma relíquia frágil e escassa. Um amor verdadeiro. -mais uma vez, só queria você de volta.
               O texto ficou sem sentido, e totalmente disléxico, creio que a saudade também seja assim. Sem pontos, cheio de virgulas e espaços. Espaços estes que jamais serão preenchidos.





sábado, 12 de julho de 2014

Seríamos apenas eu, e você

Talvez você não se recorde muito bem, mas enquanto você tentava me abraçar timidamente, eu tentava disfarçar meus risos envergonhados. Hoje não faz nenhum sentido, eu sei...

Justamente naquela noite fria e encantadora que eu descobri que era você. Eu sempre soube, mas naquela noite eu tive a certeza de que era você. 

Eu não queria aceitar, e muito menos deixar transparecer, afinal, era mais fácil eu negar tudo do que aceitar. Só que as estrelas me entregaram. Elas ficavam ainda mais encantadoras ao seu lado, e havia uma magia da qual eu nunca havia observado, e foi aí que eu descobri que havia algo a mais nessa louca imensidão.

A imensidão do céu era quase alcançavél, eu conseguia sentir o vento soprar nos meus ouvidos que era você a pessoa por qual eu sempre esperei. E eu tinha você ali bem do meu lado, sussurrando coisas que eu não poderia ouvir e você continuava por falar sem nenhuma vergonha ou medo.

Meus amigos acabaram nos encontrando e nos chamaram para sair dali. Precisamos sair e deixar por ali nossas entregas e certezas. Depois eu acabei me afastando, corri o máximo possível para não lhe encontrar, era inútil, eu sei, mas eu precisava. Precisava me encontrar em meio de fantasmas e dores para por fim me entregar. Tentei negar toda essa história e cada vez mais me afundava em desculpas as quais eu já não suportava mais.

Tentei por outros dias observar as estrelas daquele mesmo lugar, no mesmo horário. E só via uma imensa constelação silenciosa, sem qualquer indícios de felicidade. Foi então que eu descobri que a vida não tinha sentido sem você ao meu lado, e muito menos motivo para eu percorrer caminhos ainda não desvendados. Era você que fazia tudo acontecer. Então eu decidi que seríamos apenas eu e você, nessa busca incansável e linda que é o amor.





é sobre a gente amor, 
te amo <3


segunda-feira, 23 de junho de 2014

Último Pedido

Não tem uma música a qual eu queira ouvir, não existe um lugar ao qual eu queira estar.
Entre discursos e leis me perdi onde menos pensei vagar.
Há tantas mentes vazias lá fora, há tantos quartos escuros sem nada a ocupar.
Em desespero suplico por silêncio,
por instinto grito, com medo de me calar.
Enquanto as lágrimas asfixiam a coragem e a vontade de mudar,
sigo calado feito estátua por vagar.
Bifurcações se entrelaçam e formam novas emoções,
o vento percorre e mais uma vez se perde entre outras direções.
É quase o fim, é quase uma saída.
Sem desarmar bombas,
sem desenrolar as amarras,
o tempo suplica por vida, a vida suplica por aventura e amor.

sábado, 26 de abril de 2014

Simples Coração

         Ouvi dizer que as coisas boas não devem ser compartilhadas. Estranho né? Ainda mais neste mundo aonde a onda do momento é compartilhar tudo a todo tempo, mas ok. Ouvi dizer que se deve admirar o momento, e guardar, guardar num lugar aonde ninguém possa modifica-lo, num lugar onde só você é o dono; em seu coração. 
        Achei a coisa mais linda, uma pena não ter ouvido isso diretamente de alguém, mas ainda assim achei especial, quem sabe num dia qualquer, um alguém qualquer possa me dizer - tipo aquelas pessoas com as carinhas enrugadas e cheias de lindas histórias para contar. No momento, quero guardar tudo o que há de bonito e especial no meu coração. Inclusive meus sonhos. Descobri que tenho sonhos, e até me espantei porque tenho muitos, muitos sonhos e nem me dava conta disso. 
       Algumas pessoas preferem viver num mundo real, onde os sonhos são apenas para os personagens da Disney e que todo o resto é apenas o resto. Não as julgo. Até um tempo atrás eu também preferia assim. Só que agora não. Nunca pensei que pensaria deste modo, mas eu realmente quero descobrir o valor de
um sonho, tal como, descobrir o valor da vida.
      Quando se passa muito tempo na frente de uma tela, a vida lá fora não parece ser tão interessante. Só que basta olhar de um ponto de vista diferente, que tudo muda. As vezes o necessário é dar valor aos detalhes. Coisas simples mesmo e bonitas. 
         Eu descobri que o ar pode ser ainda mais puro quando se está numa montanha ou numa praia. E que se você fechar bem os olhos quando estiver olhando um arco-íris, você formará um filtro só seu. 
        Seja simples e tenha objetivos, isso ajuda. As vezes as pessoas mais simples são as mais felizes. Aquela velha história de que dinheiro não traz felicidade pode fazer sentido. Não vejo felicidade em estar sozinho e sem esperança. Dinheiro não vai comprar amigos e amores -me refiro a amores de verdade.
          A vida é linda, o problema é que as pessoas a transformam. Não devemos procurar a felicidade em terceiros, devemos fazer a nossa felicidade. Ah, quebre as correntes ou as regras - como preferir. E o mais importante, viaje o mundo.


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Uma bicicleta

            Sabe aquela história sobre que a felicidade atrapalha quem tem sono leve? Então, é verdade. Não me assustei por isto, me assustei por talvez não dar o melhor de mim por esta felicidade e isso me fez estremecer. A felicidade veio num desejo realizado, -sim destes desejos que são concedidos quando você muito quer alguma coisa.

            Meu desejo, não veio a cavalo, tampouco numa ferrari, veio numa bicicleta. Destas que possuem duas rodas e rangem um pouco quando se têm por muito tempo. Ele veio sorridente, destemido e pela primeira vez na vida eu o via determinado por alguma coisa; por mim.Claro que ele nunca soubera, e honestamente minha vontade era de guardar este segredo a sete chaves. Um segredo só meu. Um segredo meu e de mais ninguém.Por ser algo bonito e por ter tanta gente querendo que dê errado -umas até procurando coisas que nuca irão encontrar- eu decidi revela-lo.

           Foram as horas mais lindas que eu já passei com alguém em silêncio, e confesso, nada precisara ser dito. Uma noite, estrelas, a lua e uma contagem regressiva. Enquanto todos pediam por dinheiro, emprego, casamento e filhos, eu só pedia por felicidade - é amigos, as vezes o que procuramos é apenas a felicidade, o resto vem com o tempo. O resto da noite não houve muita magina, na verdade faltou saúde -as vezes não custa pedir um pouquinho de saude, sácomoé-, mas a minha felicidade não me abandonou por um segundo , ficou ali, a noite inteira ao meu lado em silencio, apenas a me observar.

            As vezes custamos a enxergar o que está bem abaixo de nossos olhos e nós, cegos que só, levamos uma eternidade para perceber o mundo ao nosso redor. Mas voltando ao meu desejo, ele se realizou, ele levou alguns meses, acho que o povo lá de cima as vezes dorme no ponto, ou nós que devemos passar por certas situações para valorizarmos as próximas... Talvez não fosse o tempo, ou não era a hora exata, mas a felicidade depois de muito persistir finalmente entrou casa a dentro, e quando entrou se deparou com uma enorme bagunça, uma bagunça cheia de roupas espalhadas e cacos de vidros atirados pelo chão - indícios de um furacão qualquer, um metido a paixão- e mesmo assim, com tudo indicando que ela deveria ir embora, ela puxou uma cadeirinha, arrumou a mesinha e ajeitou a cama para logo mais a gente dormir. E foi ali em meio a maior bagunça que eu encontrei a minha felicidade.


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Não foi acidente

Era começo de inverno, era a primeira festa juntos após o nosso casamento. Estávamos felizes, éramos feito um para o outro. A festa estava linda, a banda tinha uma harmonia sem igual. Todos os nossos amigos estavam lá e você estava radiante. Diferente de outras festas decidimos antes de sairmos que quem levaria o carro não seria eu, então lá estava você e sua inseparável garrafinha d'água. 

Dançamos como nunca, e os seus olhos possuíam um brilho que eu jamais tinha visto antes. Era um brilho terno, carinhoso, um brilho cheio de esperança, um brilho que eu não conseguia entender. Ele possuía alguma coisa diferente. Se eu soubesse eu teria feito tudo diferente. Só tinha música brega, ao seu ver, pra mim era tudo normal e o mais importante era a sua companhia. Tudo muito lindo. Era uma festa, eu tinha aprendido a dançar e você estava ali comigo. 

Então começou a ficar tarde, o ar pareceu ficar ainda mais gelado e  depois começou a chover. Decidimos que depois iríamos embora, depois da nossa música, porque era uma música linda e em todas as festas ela estava. E assim seguimos.


Daqui pra frente as coisas começam a ser turbulentas e confusas. Mesmo depois de várias sessões com um psicólogo as coisas ainda estão confusas. Não me lembro boa parte do que aconteceu.

Lembro apenas de você jogando seu salto no banco de trás e gritando comigo pra eu fixar direito o cinto de segurança. Sempre mandona. Sempre você. Acho que foi por isso que deu tão certo, éramos perfeitos. Todos diziam que éramos o casal do "Eduardo e Monica". E eu tenho certeza de que éramos. 

Agora, agora sou só eu. Eu não tenho mais motivos pra voltar pra casa no horário, não tenho mais quem me chame por um apelido idiota. Não tenho você. Ainda está sendo difícil. Todos os dias eu venho aqui. Todos já me conhecem. Já ouvi diversas vezes "pobre homem, tão jovem e jogando a sua vida fora". Eles não entendem. Não entendem que a minha vida era você. Era você e alguém a tirou de mim. 

Eu não consigo me lembrar de nada, só lembro que eu gritava o seu nome e você não respondia. Lembro apenas de gritar e você não responder. Depois eu perdi o chão e não vi mais nada. Foi aí que eu descobri, que a vida tinha um plano e separou a gente.



Júlia faleceu há dois anos, um motorista bêbado invadiu a pista contrária e era ela quem estava dirigindo. Ela ao invés de Carlos era a motorista da vez. O carro onde os dois estavam saiu da pista e capotou. O motorista -que provocou o acidente- saiu ileso, apenas com alguns arranhões.  E por culpa de um inconsequente foi perdida uma vida. 


Assim como esta pequena história de Júlia e Carlos, há várias outras histórias por aí. Muitas pessoas perdem a vida por consequência de um terceiro, e muitas prosseguem com alguma deformidade causada pelos mesmos.
Há algum tempo atrás eu conheci uma campanha chamada "Não foi acidente", onde o próprio nome faz jus à causa. A campanha roda em torno sobre este assunto, motoristas bêbados que acabam tirando a vida de outras pessoas inocentes. É isso galerinha, seja consciente e valorize a sua vida e a do próximo. ;)


















sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Carta para o seu namorado

Eaí cara, tudo bem? Sim, eu sou o ex. E sei que por isso você não deveria acreditar em mim. Mas vou falar sem rodeios, só vim mesmo porque eu realmente gosto muito dela. Não me leve a mal não, mas se realmente quiser que dê certo, siga a risca as minhas instruções, eu falo sério. É eu sei. Sei que pareço louco por isso, nem eu me entendo, mas é por ela. Sempre foi por ela

Ela é assim toda independente e segura de si, só que por dentro ela é frágil. Não guarda rancor nem nada do tipo, como também nunca esquece o que a magoou. Nem preciso dizer que ela gosta que tudo seja do seu jeito e nem preciso citar que organização é o seu sobrenome. Ah, é um pouco teimosa também, mas confesso que é humilde e sabe quando deve assumir os seus erros. Vez ou outra ela faz uma visita rápida ao hospital, não se assuste. Ela tem asma. Aqueles remédios coloridos que vivem em sua bolsa é o que a salvam. Cuida dela, ela sempre se esquece de tomá-los.

Leve-a para passear e tenha um tempo apenas pra ela se desligue do trabalho e coisas do tipo. Se dedique. Esteja sempre de corpo e alma e a faça lembrar disso. Faça perguntas e a mime com surpresinhas. Mulheres gostam disso. Ela gosta disso. Não, eu não me refiro a gastar dinheiro com coisas caras, isso ela não curte, me refiro aos detalhes que fazem a diferença. Levante antes dela e a presenteie com um café na cama. Seja gentil e atencioso. Ah, pega leve com as flores, ela é alérgica, mas ela gosta e muito.

       Sei que é estranho eu te dizer estas coisas, mas é que não quero que ninguém a magoe. E se por um acaso isso acontecer, saiba que haverá milhões de caras caindo aos pés dela, caras como eu e você. E sei isso acontecer meu caro, não me leve a mal, mas eu não vou desperdiçar a chance de voltar com ela. Mulheres como ela não se encontram mais por ai. Não com esta sinceridade e esse amor pela vida. Muito menos com esse sorriso faceiro. Mulheres como ela não se encontram mais.



quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Gente

Gente. Gente que corre. Gente que tropeça e ainda assim continua a correr. Gente que cai. Gente que faz derrubar. Gente que estende a mão à quem está no chão.
Gente que sofre e que mantêm o sorriso no rosto. Gente que machuca para não se machucar. Gente que se deixa machucar para não ferir. Gente. Gente que chora, ri e ama. Gente que mente. Gente que sonha. Gente que não sabe o que é ser gente. Gente que só queria ser gente. Gente que pressupõe que há outros tipos de gente. Gente que sonha com um mundo melhor.
Gente que só fala de gente. Gente que não fala de nada. Gente que fala de tudo. Gente que rouba, mata e come. Gente que luta pela paz mundial. Gente que vive armada. Gente que foge das armas.
Gente que estuda e foge dos estudos. Gente que gostaria de estudar e não obteve oportunidades.
Gente que acha desculpa para tudo. Gente que faz acontecer. Gente que só sabe dar pitacos.
Gente que aprende com erros. Gente que não sabe ser gente. Gente que acorda cedo. Gente que dorme tarde. Gente que não dorme. Gente que vive para dormir. Gente que destrói sonhos. Gente. Gente que dança. Gente que brinca. Gente que vive a admirar o outro. Gente que inspira. Gente que só transpira. Gente que dá valor. Gente que não valoriza. Gente que vive a esperar. Gente que nunca espera. Gente que não admite o aprendizado. Gente que tem medo de enfrentar seus sonhos. Gente que semeia o amor. Gente que nunca amou. Gente que ama a todo tempo. Gente que ama vários ao mesmo tempo. Gente que ama tudo o que todos amam. Gente de mente vazia. Gente inteligente. Gente. 




sexta-feira, 13 de setembro de 2013

A voz mais doce que eu ouvi

Notas de quem vos escreve. Antes de começar a ler este post, favor clicar aqui para acompanhar com a música. Ela é mágica, acreditem. Boa leitura! (:



A última coisa que eu desejaria neste mundo era desabar sobre você, e foi exatamente isso o que aconteceu. Desculpa. Mas foi mais forte do que eu. Desabei perante quem eu mais admirava e idolatrava como ser celestial. Um anjo? Sim, nos meus sonhos é você o anjo que me ilumina e fortalece. É você quem me faz seguir sem olhar para trás.

Abaixo de um céu estrelado e brilhante, logo abaixo das estrelas, ali, onde eu conseguia ser quem eu era. Onde eu não possuía medos ou incertezas. Ali aonde eu me sentia em casa. Eu desabei. Desabei com você me olhando nos olhos e me pedindo para não mais chorar. Desabei por sentir que não conseguia mais seguir em frente. Desabei por sentir vergonha e medo. Medo de perdê-lo, medo de decepcioná-lo. Medo de ser eu, quando eu na verdade queria ser um nada. 

Eu queria gritar, sumir, desistir. Eu queria sentir tudo, menos o seu olhar perante a mim. Daquele jeito que me desconcerta e concerta todas as vezes que eu tento sair de linha. Daquele jeito que me abala e me faz perder o ar. Daquele jeito tão seu, tão seu que agora é meu. 

Mas agora, depois de tudo. Eu preciso te dizer. Dizer que te amo, que amo mais até do que eu imaginaria te amar. Não apenas amo por estar comigo, amo por completo. Pela pessoa que você se tornou. Pelo amor que és. Foi ali, desistindo de tudo, e odiando meio universo que eu ouvi a voz mais suave e sincera que poderia pairar sobre a terra. A sua voz.

A ouvi recitar a frase mais linda, a declamar o amor mais sincero. O amor que não te abandona, o amor que te fortalece. Foi quando eu perdi, pela enésima vez, o chão e a decência e ali perdendo tudo o que eu possuía, novamente eu te encontrei. Te encontrei e voltei à mim. Te encontrei e resolvi lutar por nós. Mais uma vez, e pela primeira vez havia um motivo palpável pra seguir adiante. Havia você.


domingo, 1 de setembro de 2013

Certeza de um amanhã

Sempre soube que você nunca gostou do caos, mas gostava do caos que eu fazia na sua vida. Nem adianta fingir, que isso todo mundo sabe. Mas agora eu fico aqui me perguntando o que fiz pra tudo chegar aonde chegou. Digo, você aí, com este carinha novo, todo trabalhado no social e bons modos. E eu aqui. O menino problema, o garoto da causa. O garoto que ainda espera pela sua volta.

Antigamente você tinha bom gosto, ouvia Beatles, Led e até aqueles carinhas maneiros, os tais Mamonas. Mas agora não entendo. Sua vida está toda programada, me disseram que até uma agenda nova você têm. Faz ligações diárias, evita o contato face to face. Dorme cedo, acorda cedo. Cuida diariamente da pele e cabelo.

Confesso que ri quando me contaram, falei que seria impossível. Não você. Poderia ser uma outra qualquer, mas você não. Você tinha conteúdo. Lia diariamente sobre as estrelas e a vida lá fora. Tinha diversos livros sobre teorias e causas espalhados pela sua sala de estar. E se quer se preocupava em organiza-los, porque aquela era a sua ordem. Você falava sobre coisas do céu, da terra e do ar. E de quebra, possuia um amor inigualável pela anatomia humana.

Agora, este alguém que passa por mim e se quer sorri, este alguém eu não conheço. Também nem faria questão de conhecer. Se passasse por mim numa outra ocasião qualquer, eu faria questão de me afastar. Você procurou regras para a sua vida, enquanto possuia a liberdade plena sobre viver. Vez ou outra me pego pensando em que talvez eu tivesse sido a maior causa para esta sua causa. Ou talvez, você só procurou aquilo que sempre quis. O conforto e a certeza de um amanhã.


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Acc nº 672

  É verão e no termômetro deve marcar uns míseros 40º , e pra variar não se vê uma janela aberta. Provável que você possuí um ar-condicionado de última geração, e por isso pouco se preocupa com o calor. Muito ao contrário de mim, que estava até pouco, toda esparramada pela varanda do meu apartamento.

  Digamos que você é um pouco estranho, fora nunca abrir as janelas, vive recebendo encomendas gigantes e eu o máximo que recebo dos correios são os meus pequenos livros.

  Garanto que o fator mais engraçado é de eu só ter descoberto que quem vive aí é um ser humano de verdade quando pela primeira vez eu vi seu rosto. E você era jovem. O que de fato me deu um baita susto. Você deve no máximo ser dois anos mais velho do que eu, e vive trancafiado neste apartamento.

   As más línguas chegam a dizer que você é louco, outras dizem que é um dependente químico e que seus pais o mantêm preso. Eu discordo de ambos. Tirando o fato de que você foi atender o carteiro de pantufas, você me pareceu ser uma pessoa bem lúcida. 

  Segundo o síndico você mora aí por cinco anos, é mais tempo do que eu e que muitas pessoas neste prédio. Na verdade eu nem sei porque estou conversando com um alguém que se quer abre a janela pra me responder. Na verdade mesmo, não sei nem porque faço isso há um ano. Talvez não devesse mais voltar aqui na minha varada que dá de encontro com a sua. Talvez deveria era procurar um psicólogo, até porque falar com alguém que não dá a mínima pra mim é a coisa mais imbecil de toda esta história. 

   - Foi quando me levantei pra ir embora que o pai de vocês decidiu por fim abrir a porta e me chamar pra sair. Agora se me permitem, irei guardar esta carta antes que ele chegue em casa. 



quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Mais uma dose por favor!


- Amigo! Aqui, mais uma dose! - pedi ao garçom. - Ah, e eu o chamo de amigo, porque ele realmente é meu amigo. Venho aqui com média de quatro vezes por semana. Já faço parte da casa.

- Mas então, como eu estava te dizendo. Dia destes eu até pensei que finalmente tinha encontrado o amor. Num outro barzinho qualquer, com uma música bem agradável e várias pessoas bonitas. Ela era legal, pena que era meio masoquista. É. Não que eu não goste, mas sabe como é, ela luta Judô e quebrou dois dedos meus na ultima vez que fomos nos despedir. Assim fica meio difícil, sabe como é. Mas até aí tudo bem, tudo ia normal. Fomos até o hospital, ela me pediu desculpas, mas eu achei melhor a gente se afastar. Vai que ela decidi fazer isso na cama. Aí, eu morro!

Antes, no caso, dela, eu nunca entendia porque não dava certo. Eu pagava as bebidas, levava até em casa. E vez ou outra, até ligava no dia seguinte,  na semana seguinte, sempre me fazia presente. Acho que o problema está com elas. Ou eu deveria virar gay. Seria mais fácil entender alguém do mesmo sexo que eu. Pena que eu realmente gosto muito da fruta. Senão, até pensaria no caso. 

Ou quem sabe, se o amor fosse mais fácil e traduzível eu até conseguiria. Sabe, que nem receita de bolo de vó. Três xícaras de chá de boa gentileza, uma boa pitada de carinho e uma dose de amor. Vai dizer que não seria mais fácil?

- É engraçado ouvir isso de você. Digo, um homem com tanta sorte na vida nunca encontrou um verdadeiro amor. - Ela disse pra mim, enquanto eu virava mais uma dose.

- É, mas o bom é que eu nunca perdi as esperanças. Ele deve estar por aí, uma hora ou outra eu me esbarro com ela. - Ela ainda me olhava atentamente, como desde a primeira palavra que eu disse.

- Ainda é engraçado. O senhor já beirando os seus setenta anos, e ainda pensando assim. É raro. - Ela corou - Desculpa, eu não quis tocar na sua idade. É só que, é estranho, diferente. O pessoal mais jovem não pensa assim e o senhor... 

- Tudo bem minha querida, mas sabe, - eu a interrompi, e dei outro gole - o amor ele não têm idade, ele apenas precisa ser verdadeiro e acontecer. Já ouvi muito disso, me enfiei em várias discussões também, mas ainda, ninguém me convenceu de que o amor possui uma idade concreta para acontecer. -  me virei e pedi mais uma dose





Então, se vocês gostaram do texto ou não, deixem no comentários aqui abaixo. Sua crítica é muito importante para o funcionamento deste blog. (:


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

que seja com você;

- Talvez a gente caia, brigue, afunde novamente o Titanic ou outro parecido, quem sabe. Talvez a gente não faça nada disso. Talvez ao sairmos daqui eu seja atropelado, ou você seja, mas o importante é ficarmos juntos. Ok? Quem sabe também, na pior das possibilidades eu encontre outra mulher perfeita para a minha vida, tipo a minha avó que eu não conheci. Quem sabe a gente não consiga viajar neste final de ano, ou quem sabe ainda a gente consiga. Quem sabe ao cruzar o fim da igreja você olhe para mim e diga que eu não sou o homem perfeito para você. Talvez a nossa casa não fique pronta, os filhos nasçam antes, a cortina não combine com o sofá, o cachorro solte pulgas por onde quer que passe. Talvez não tenhamos cachorros, mas sim gatos. Talvez tenhamos um curral na nossa sala de jantar, mas quem sabe o coitado do curral seja apenas um quadro. Talvez o quadro caia em cima da nossa mesa de jantar, que talvez, sem querer, atinja um dos nossos convidados de honra, de hoje, por exemplo. Talvez a gente nem faça uma sala de jantar. Talvez o nosso carro alugado diga que outro casal pagou mais caro, e assim ele nos roubam o mesmo e a gente fica apé em nossa linda e maravilhosa lua de mel. Talvez também o seu vestido rasgue assim que você diga "aceito" e todos aqui nesta igreja ficam conhecendo a sua lingerie antes de mim. Talvez eu fique puto e também rasgue a minha calça só pra você sentir o mesmo sentimento que eu irei sentir, caso isso aconteça, claro. Talvez ainda nós nos afogamos com os arroz na saída, e na hora de eu te desafogar eu te dê um golpe e tu fica desacordada e o teu pai olhe pra mim querendo me matar, e todos ficam preocupados e na verdade tu só tá fazendo cena pra ficar mais tempo no nosso casamento. Talvez nada disso aconteça e seja só invenção da minha cabeça, mas o que eu realmente quero te dizer é que; se for pra tudo dar errado, quero que seja com você apenas com você.





Este texto é um oferecimento do Imagine, que é escrito por mim. Avá?!. Mas então, ele foi inspirado na música - se for pra tudo dar errado da banda Tópaz. É isso aí, espero que curtam e deixem aqui embaixo se vocês gostaram ou não do texto. Obrigada!

sábado, 3 de agosto de 2013

A teimosia de um amor

Ele anda por aí com a cabeça erguida e nunca olha para trás. E como se não bastasse se faz de forte e insensível, e se quer fala sobre o que aconteceu no passado. Ela por sua vez, finge que a vida é bela e que tudo o que aconteceu até agora, aconteceu por algum motivo. Mas ainda assim, foi melhor o que aconteceu -ou em outras palavras, o que deixou de acontecer.

Os caminhos não mais se cruzam, os amores não mais são os mesmos. Os sonhos? Bom, estes já não existem mais. Não foi a vida, não foi o tempo, não foi a falta do mesmo. Foram eles. Eles quiseram assim, eles procuraram e deixaram que as coisas ficassem desse jeito.

A música não mais toca, o suspiro não mais se faz presente e a falta de ar não mais os atrapalha. Eles cresceram. E não foi só o crescer, mas sim o perder. Perderam o que de mais bonito existia dentro deles, o amor. Ele busca sucesso, lê constantemente vários livros, vai em diversas conferências e vive pulando de país em país. Ela, virou totalmente o seu oposto. Apenas buscou alguém que lhe trouxesse calma, que entendesse os seus constantes surtos e, que ainda no final de cada dia ainda lhe murmurasse um - eu te amo.

Negar o passado, fingir que tudo  não passou de uma simples historia de amor. Esse era o lema de vida dos dois, negar tudo, mesmo que os fatos dissessem o contrário. Mas até quando dois corações suportam a dor e a distancia por culpa de um orgulho bobo e medo? Seria mais fácil esquecer e aceitar, ou continuar nesta luta constante em negar tudo aquilo que foi registrado e cravado em suas memorias?

Provável que eles nunca saibam. Provável que ninguém mais saiba. A história está cada vez mais distante de se tornar perfeita e real. Por culpa dele? Talvez. Ele foi um tanto orgulhoso, mas sempre deixou bem claro, que se não fosse por ela jamais ele voltaria a lutar por um amor.


"hay cosas dentro de mí

Que puedo esconder

Y nadie mas ver"













quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Um alguém

Faz frio e a chuva está cada vez mais forte, não sei onde errei ou em qual esquina deixei o nosso amor. Realmente não sei. Eu queria encontrar uma solução, alguma resposta para esta equação errônea na qual continuo a insistir.

Você se quer lembra de mim, mas faz questão de mostrar ao mundo que eu nunca realmente fui. Você continua com esta sisma de esfregar na cara de todos que nada passou de uma fictícia história de amor. Mas eu, eu não consigo mais. É forçar demais para mim.

O orgulho. Por diversas vezes você me disse o que estava errado, por diversas vezes eu ignorei os seus suspiros e lamentos. Mas eu juro. Juro que você sempre foi a primeira mulher a vir em  mente quando me perguntavam -naquelas entrevistas toscas- se existia um alguém em minha vida. Sempre existiu. Sempre foi você.

Nos despedimos da melhor forma possível. Te encontrei num Pub qualquer, em uma cidade qualquer e te convidei a mostrar para o mundo que seguíamos ali. Eramos dois imbecis apaixonados mas com medo de seguir e viver um amor.

Agora, eu estou aqui, em frente a sua casa com o seu maldito convite de casamento em mãos e, não sei ao certo o que fazer. Rodei por vários quilômetros e o desgraçado do meu inconsciente me trouxe até aqui. Eu só queria saber o porquê de tudo isso. O porquê de nunca ficarmos juntos, mesmo quando o mundo conspirava ao nosso favor. O porquê do adeus, quando prometemos começar do zero.

Eu só queria ser um alguém na sua vida. Um alguém com o qual você pudesse estar agora. Um alguém que te fizesse feliz.




terça-feira, 30 de julho de 2013

Ela disse adeus

Ela disse adeus. Disse porque estava cansada, cansada de ver que nada muda, ou melhor, que tudo muda mas sem que assim ela queira. Disse também, porque era mais fácil dizer do que bater portas e gritar aos quatro ventos tudo o que queria. Disse porque nada mais ali valia a pena.

Mas ela não disse só adeus, ela fez antes disso, todo aquele teatro ensaiado digno de uma platéia e bons júris. Não gritou tudo aos quatro ventos, mas gritou a todo pulmão que não mais voltaria. E antes de cruzar a linha de saída deixou algumas lágrimas caírem. Deixou, porque já estava cansada de segurá-las e ser forte.

Força. Era o que ela mais se cobrava ali, e era o que talvez ela mais sentiria falta. Não de um amor, ou de uma dor, mas sim da força que ela fazia por sempre querer juntar e remendar tudo o que estava em pedaços. Mas agora, diferente de antes, ela iria embora.

Antes ainda de fazer seu teatro e gritar para todos ouvirem, ela se deu ao luxo uma última olhada ao espelho, encarou o seu batom vermelho e criou coragem. Coragem feito de beleza. Coragem com unhas vermelhas. Era hora de partir. Então decidida, ela se virou e disse; Adeus.

Não um adeus comum, daqueles que meia hora depois de muito choro a faria mudar de ideia, nada disso. Um adeus para não mais voltar, um adeus que marque a ferro e sangue tudo o que eles viveram até ali. Um adeus para a sua velha e boa companhia, porque agora decidida, ela seria outra mulher. Uma mulher mais forte e corajosa. Uma mulher com seus batons e unhas vermelhas.


obs: texto baseado na música "ela disse adeus" dos grandes Paralamas do Sucesso. 

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Caixinha de Surpresas

OBS; Esta música é pra ouvir com o texto, porque sim. 


A vida é como uma caixinha de surpresas por mais que saibamos como ela é, não sabemos qual surpresa ela nos dará. Fazemos escolhas, acrescentamos conhecimento, levantamos e caímos. Fazemos de tudo. E ainda sim, não fazemos nada e, achamos tudo uma perda de tempo. E essa perda pode ser o nosso maior acréscimo.

Ah, a vida. A vida é estar por aí sorrindo feito criança, brincando feito criança, fazendo drama feito criança. É ser criança. Ser criança e estar atento aos erros e acertos. Cair e levantar, e ainda assim assistir uma linda e bela reprise de todas as quedas. É chorar copiosamente por tudo estar errado e mesmo assim achar graça dos próprios soluços. É ter ou não ter esperanças na próxima rodada do jogo, mas ainda sim continuar jogando.

Infelizmente as coisas não são sempre como nos seriados de Tv, onde o personagem principal sempre se dá bem. Há sempre estes picos de altos e baixos, que vão do extremo e te levam ao extremo. E também, qual seria a graça de tudo sempre dar certo? Ah, ok. As vezes as coisas poderiam ser mais simples e fáceis, é poderiam sim. Mas e depois? Depois de passar aquela euforia sobre tudo estar bem, sobre tudo andar muito bem. Qual seria a graça de continuar tentando e sempre dando o melhor de si quando você já sabe o resultado?

Pegar a rota errada, se perder e mesmo perdido se encontrar. É meio louco, mas se pararmos pra pensar todas as vezes que nos metemos em alguma furada no final tiramos alguma boa lição. E essa caixinha de surpresa sem limites é a vida. Seguir em frente e ter um motivo para assim seguir. Acreditar, desistir, sonhar.

Dar sempre o melhor de si, não significa que você estará sempre no topo, significa que você está apto para sempre seguir adiante. É como dizem, perder não é o fim do jogo, mas desistir sim. Desistir é assumir que você não se preparou o suficiente, e perder é mostrar que faltou pouco para você chegar a perfeição. Aí é onde você deve procurar dentro de si uma motivação ainda maior, porque você está apto para sonhar ainda mais alto, e assim alcançar as estrelas. Porque é lá onde os seus sonhos se tornam realidade.